A você

Março 11, 2008

Dia cinza,

eu cinza

você névoa

Dia chuvoso,

eu lágrima,

 você negro

Dia frio,

eu tremo,

você longe

Dia em uma primavera,

 eu flor,

você humano

Dia ensolarado,

 eu sol,

você sombra

Dias sem você

eu sombra e você luz

Crônica de boteco

Março 4, 2008

 O grupo sentou-se em uma mesa no fundo do bar. Conversavam animadamente, e bebiam muita cerveja. Pessoas visivelmente diferentes unidas pelo desejo de falar bobagens e esquecer os problemas. Ou unidas pelo acaso – qualquer um que seja mais fácil de acreditar.

As mulheres-meninas, davam  risadas espalhafatosas, faziam gracinhas e conversavam a respeito de tudo, especialmente de homens e sexo. Meninas de todos os tipos e tamanhos, das mais esbeltas até as rechonchudas, das loiras gostosas ás morenas inteligentes, cada qual com seu charme. Os meninos, conversavam sobre futebol, a copa do mundo, os filmes mais interessantes do circuito- tentavam fazer alguma produção frutífera, leia-se: conquistar alguma das meninas por sua inteligência.

Muitas cervejas e cigarros depois, o grupo ficou descontraído. Os meninos começaram a partir para cima e as meninas so fazendo charme. Mas uma delas, sabia bem o que queria.

Trocaram olhares, ele e ela. Brindaram à vida, à família, à cerveja , enfim á tudo que conheciam e achavam bom. Ela levantou-se, foi ao banheiro. Não tinha dúvidas de que, ele, iria comentar algo a seu respeito com os amigos. Arrumou o cabelo, passou batom, lavou as mãos e colocou um Halls na boca. Voltou a mesa, sentando-se mais perto dele.

Novamente trocaram olhares. Alguns esbarrões “acidentais” também aconteceram. A noite passava e a conversa fluía. Qualquer um que visse a cena de fora apostaria que os dois terminariam juntos.

O celular dela tocou, seu olhos se encheram de lágrimas, e ela foi, novamente ao banheiro. Voltou com os olhos inchados, desculpou-se e se retirou. Não deu explicações à ninguém. Ele ficou murcho.

No dia seguinte, fingiram que nada havia acontecido. Não era para ser…

                                                                                                                         CONFORMISTAS!

 

Março 3, 2008

            Desejo:S.m,- aquilo que se deseja;apetite;cobiça;anseio;propósito;intuito.

                 Em algum tempo de nossa pequena existência, um gênio da publicidade inventou a concepção de amor tal qual a conhecemos. O amor romântico, o amor sem nenhum interesse, o amor onde tudo se dá e nada se recebe. O amor de contos de fadas, de príncipes e princesas, de montanhas e rios a serem transpostos para que se possa viver esse amor. É, meus caros leitores. A verdade dói. E fazemos de tudo para ignorá-la, somos mais felizes quando ignorantes.

                 Talvez seja um pouco hipócrita de minha parte, escrever sobre algo que não entendo por completo. Ou escrever sobre algo no qual acreditei uma vez e que um dia acreditarei novamente. Mas não é sobre o amor que vou escrever. É sobre algo mais fácil de compreender, por mais que inventemos mil desculpas para que possamos acreditar no amor.

                  Hoje dedico meu texto a um fantasma de nossas vidas. Sim! Eu me atrevo a generalizar. O tema de meu devaneio é inerente á todos nós,gostemos disso ou não! O desejo. É uma coisa engraçada esse tal de desejo. Na verdade, é uma das coisas mais fascinantes de toda a natureza. Já pensou que se não fosse esse tal de desejo as espécies do planeta estariam fadadas a desaparecer? 

                  Interessante é que quando falamos de animais, falamos em instinto e quando falamos em seres humanos, falamos em desejo. Na essência os dois se completam. Não diria que um é sequência do outro, mas eles se completam. Só que para os animas é mais fácil, eles são capazes de satisfazer seus instintos sem serem reprimidos pela sociedade em que vivem. 

                   Com nós humanos, as coisas já são um pouco diferentes. Somos obrigados a disfarçar nossos desejos. Somos hipócritas, mascaramos o desejo falando em amor, procurando interesses em comum com aqueles que desejamos, mascarando nossas verdadeiras intenções. Como todos os seres vivos temos um instinto.E por mais que não gostemos de admitir, as vezes queremos nos satisfazer sem possuir nenhum vínculo emocional. Por puro tesão.

                     É claro, também disfarço meus desejos. Não posso sair por aí falando o que quero, o que fiz e o que não fiz. Apesar de não gostar de admiti-lo eu também sou uma hipócrita.- por motivos de força maior. Mas gostaria de deixar uma pergunta por aqui. Por quê afinal, tentamos esconder isso?