Na cidade dos pés.
março 16, 2011
Como fumaça fui levada pelo vento e aqui não mais escrevi.
As palavras que não pude dizer ficaram como que presas, entre grades e morais, em minha mente.
Volto hoje a fazer aquilo que mais me dá prazer: liberar meus pensamentos- em prosa, poema, reflexão – para refletir o mundo que passa por mim sem que eu possa entendê-lo completamente.
Volto, dois anos depois, com uma mente um pouco mais criativa, um pouco menos aflita e mais propensa do que nunca a voar pelos caminhos que os pensamentos conduzem.
Sem limites, minha imaginação me leva a lugares nunca vistos e ,creio, nunca antes imaginados.
A folha de um caderno, mãos se movendo, olhos qe procuram, um buraco na rua , tudo instiga pensamentos.
Observadora, louca que sou, hoje fiquei olhando os pés que atravessavam uma grande avenida desta imensa cidade cinza. Pés bonitos, feios, de salto, sem salto, masculinos, machucados, femininos, porém todos andavam com a certeza de quem sabe – ou pensa que sabe -para onde vai.
Uns com pressa, uns passeando, uns para dentro e outros para fora.
Em uma dado momento ,observo, um pé que tropeça, que se vira para si mesmo causando a queda do corpo que sustenta, leva um corpo ao chão, asfalto, concreto, imensidão negra. O corpo que cai fica no chão da avenida, imóvel por alguns segundos, mas logo depois do susto, se põe novamente em cima dos pés cansados.
E os pés caminham novamente, neste ritmo louco da cidade, um após o outro, um atrás do outro, um olhando para lá e outro para cá.